Como fica composição da Aleto após a dança das cadeiras nos partidos

O tabuleiro político do Tocantins teve várias peças trocadas e um desenho que poucos esperavam para o último ano da era Wanderlei Barbosa. O fechamento da janela partidária de 2026 não foi apenas um rito burocrático; foi o marco zero de uma separação de corpos entre quem aposta na continuidade do Palácio Araguaia e quem já arrumou as malas para os palanques de oposição capitaneados por Laurez Moreira (PSD) e Vicentinho Júnior (PSDB).

O “Encolhimento” da Base

Para quem estava acostumado com uma Aleto onde o Governador “nadava de braçada”, com mais de 20 deputados sob sua batuta, o novo número é um choque de realidade: 15 deputados. Wanderlei mantém a maioria absoluta (necessária para aprovar projetos simples), mas perdeu a gordura que lhe dava tranquilidade absoluta.

O próprio partido do governador, o Republicanos, foi o que mais sofreu a “metamorfose”. Dos 7 eleitos em 2022, restaram apenas 3. A estratégia parece ser clara: pulverizar a base em partidos aliados fortes (PL e União Brasil) para garantir tempo de TV e capilaridade, mas o risco de perda de controle no curto prazo é real.

O Raio-X das Mudanças: Quem foi para onde?

1. A Base Governamental (15 Deputados)

A sustentação do Palácio agora se ancora no tripé Republicanos-PL-União Brasil.

  • Republicanos (3): Léo Barbosa, Cleiton Cardoso e Eduardo Fortes (que deixou o PSD).

  • PL (5): A legenda se tornou o “exército” de Wanderlei. Conta com Wiston Gomes (ex-PSD), Gipão, Vilmar Oliveira (ex-Solidariedade), Moisemar Marinho (ex-PSB) e Marcus Marcelo.

  • União Brasil (4): Jair Farias, Vanda Monteiro, Nilton Franco (ex-Republicanos) e Eduardo do Dertins (ex-Cidadania).

  • Progressistas (1): Janad Valcari, que mantém a aliança técnica.

  • PV (1): Cláudia Lelis, a fiel escudeira da base.

2. A Oposição (9 Deputados)

O que antes era uma “oposição de um homem só” ou tímida, agora se encorpou e se dividiu em dois blocos de olho no Palácio Araguaia:

  • Bloco Laurez Moreira (PSD – 3 deputados): O vice-governador, agora em rota de colisão silenciosa com o titular, segura Luciano Oliveira, Eduardo Mantoan (que deixou o PSDB de Cinthia Ribeiro) e Gutierres Torquato (ex-PDT).

  • Bloco Vicentinho Júnior (PSDB e MDB – 6 deputados): O grupo mais aguerrido, que deve ditar o tom das críticas ao governo na tribuna nos próximos meses conta com Júnior Geo e Jorge Frederico no PSDB e Amélio Cayres, Danilo Alencar, Valdemar Júnior e Olyntho Neto no MDB.

O que isso significa na prática?

O Palácio Araguaia diz que o movimento foi “calculado” para fortalecer as chapas proporcionais dos aliados. No entanto, nos corredores da Aleto, o que se comenta é o início dos “expurgos”.

A maior polêmica reside na postura de Eduardo Mantoan. Ao migrar para o PSD de Laurez, o deputado deixa claro que o grupo da prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, e do vice-governador está montando um “bunker” de resistência.

Wanderlei Barbosa ainda tem as chaves do cofre e a caneta, como demonstrou recentemente ao aumentar o auxílio-alimentação dos servidores para atrair simpatia popular. Mas, com 9 deputados na oposição, o governo agora terá que negociar o que antes era imposto. A “paz de cemitério” que reinava na Aleto acabou; começou a temporada de caça aos votos e, principalmente, às falhas da gestão.

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