Em meio a questionamentos sobre as mudanças no atendimento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e postos de saúde da capital, o prefeito Eduardo Siqueira Campos defendeu enfaticamente a adoção de um novo modelo administrativo. Em entrevista ao Centro dos Bastidores, o gestor negou que o serviço esteja sendo “privatizado” e classificou a iniciativa como uma “gestão compartilhada” com uma entidade de longa tradição.
O prefeito iniciou sua fala traçando um diagnóstico do que considera o erro das gestões passadas: a contratação de médicos e serviços por meio de empresas privadas lucrativas (as chamadas PJs).
“Os médicos que estavam lá eram de uma empresa privada chamada PJ, que tem fins lucrativos. Da alimentação à limpeza, tudo era com a iniciativa privada”, pontuou Eduardo, argumentando que esse modelo engessa o poder público em momentos de crise, como na falta de medicamentos.
Segundo o prefeito, a burocracia estatal muitas vezes impede a compra rápida de remédios, gerando desabastecimento enquanto a população sofre. Ele relembrou que, no passado, chegou a responder ao Tribunal de Contas por realizar requisições administrativas emergenciais para garantir o atendimento.
A escolha pela Organização Social
Para solucionar o problema, a prefeitura buscou uma entidade sem fins lucrativos com 128 anos de história e certificação de filantropia (CEBAS). O prefeito destacou que, por não ter fins lucrativos e ser isenta de diversos impostos, essa entidade consegue entregar um serviço “mais barato e melhor”.
Eduardo citou exemplos de outros estados, como Ceará e São Paulo, onde hospitais públicos são geridos por Organizações Sociais (OS), para reforçar que a estratégia é comum em grandes centros e em governos de diferentes ideologias.
Foco no atendimento e respeito ao servidor
O prefeito também mandou um recado direto aos servidores públicos e sindicatos. Ele afirmou que o novo modelo visa otimizar o trabalho e garantir que a população tenha pediatras e atendimento disponível até a meia-noite.
“Eu não estou aqui para guerrear com sindicato. Eu estou aqui por 330 mil moradores e mais de 500 mil pessoas que buscam saúde em Palmas”, declarou.
Eduardo finalizou assegurando que todos os trâmites legais foram seguidos e que a gestão está à disposição do Ministério Público e do Tribunal de Contas para esclarecer quaisquer dúvidas, reforçando que a prioridade é a eficiência: “O que o poder público pôde fazer foi chamar uma entidade para antecipar sua entrada e garantir que não falte médico nem remédio.”





