Amastha deixa o PSB após mais de 20 anos e dispara críticas à nova condução do partido

O ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, oficializou sua desfiliação do PSB após conseguir a carta de anuência assinada pelo presidente nacional da sigla, João Campos. A saída marca o fim de uma relação política de mais de duas décadas e vem acompanhada de críticas diretas à atual condução do partido no Tocantins.

Amastha agora deve se filiar ao Podemos, com o objetivo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa nas próximas eleições.

Saída com recado político

Em carta aberta, o ex-prefeito não apenas se despede, mas também faz duras críticas ao que considera uma mudança de rumo da sigla. Sem citar nomes diretamente, Amastha afirma que o partido foi colocado “sob a influência de forças que sempre estiveram do outro lado”, numa declaração interpretada nos bastidores como uma alfinetada à atual composição política do PSB no estado.

Outro ponto de insatisfação destacado foi a falta de construção de uma chapa competitiva para deputado federal  promessa que, segundo ele, não se concretizou.

Ruptura e reposicionamento

A saída de Amastha representa mais do que uma simples troca partidária. Trata-se de uma ruptura com o grupo que ele próprio ajudou a construir no Tocantins ao longo de 12 anos como presidente estadual da sigla.

Durante esse período, ele ressalta que o partido esteve presente em todas as disputas majoritárias e atuou de forma protagonista no cenário político local, enfrentando, segundo suas palavras, “interesses poderosos” e disputas jurídicas.

Agora, ao migrar para o Podemos, Amastha reposiciona seu projeto político, mirando uma vaga de deputado estadual e abrindo um novo capítulo em sua trajetória.

Veja a carta na íntegra:


Carta de despedida ao PSB

Carta de despedida ao PSB

Aos companheiros e companheiras da Direção Nacional do Partido Socialista Brasileiro,

Escrevo esta mensagem com uma dor profunda no coração.

A partir de hoje, não faço mais parte dos quadros do PSB, partido ao qual me filiei pela primeira vez há mais de duas décadas, e que sempre ocupou um lugar muito especial na minha trajetória política e pessoal. O PSB foi meu primeiro partido. Foi nele que aprendi, cresci, lutei, venci, perdi, sonhei e construí boa parte da minha história pública.

Só estive fora uma única vez, quando disputei pela primeira vez a Prefeitura de Palmas, em razão da impossibilidade de fazê-lo pela legenda do PSB naquele momento. Disputei por outro partido, venci a eleição, e logo depois retornei ao meu partido de origem, porque sempre soube onde estava meu verdadeiro pertencimento político.

Ao longo dessa caminhada, ganhamos e perdemos, como é natural na vida pública. Mas nunca fomos coadjuvantes. Sempre fomos protagonistas.

Desde que assumi a presidência estadual do PSB no Tocantins, há 12 anos, o partido esteve presente em todas as disputas majoritárias. Sob nossa condução, o PSB conquistou protagonismo, respeito e relevância política. Enfrentamos grandes embates, inclusive jurídicos, em defesa da democracia, contra arbitrariedades, contra desgovernos do Estado e também contra abusos cometidos no âmbito da Assembleia Legislativa. Sempre estivemos ao lado de quem mais precisa, sem medo de enfrentar interesses poderosos.

Por isso, minha saída não é burocrática. Não é leve. Não é fria. É profundamente dolorosa.

Saio triste ao ver que o partido, ao qual dediquei tantos anos de lealdade, trabalho e entrega, foi colocado sob a influência de forças que sempre estiveram do outro lado da nossa caminhada política. Essa decisão representa, para mim, uma ruptura com tudo aquilo que construímos ao longo desses anos no Tocantins.

Ouvi a promessa de que seria construída uma chapa competitiva para deputado federal, algo que, até aqui, não se concretizou de forma minimamente convincente. Espero sinceramente, pelo bem do partido, que isso ainda aconteça. Mas sigo meu caminho com a consciência tranquila de quem fez sua parte, de quem lutou até o último momento e de quem não faltou ao PSB em nenhuma hora decisiva.

Agora, seguirei para disputar um mandato de deputado estadual por outra legenda. Farei isso sem negar minha história, sem apagar minha caminhada e sem renunciar aos valores que sempre defendi.

Levo comigo as lembranças, os companheiros de luta, as batalhas travadas, as vitórias conquistadas e também as cicatrizes de um tempo em que o PSB, no Tocantins, teve coragem, altivez e protagonismo.

Saio com tristeza, mas não com amargura. Saio ferido, mas de cabeça erguida. Saio do partido, mas não saio da luta.

E, no mais íntimo do meu coração, permanece o sentimento de que, se um dia o PSB voltar a ser entregue às mãos de quem verdadeiramente acredita em sua história, em seus princípios e em sua coragem, sempre haverá em mim respeito, memória e vínculo com esse partido que marcou a minha vida.

A todos os companheiros e companheiras que caminharam comigo ao longo desses anos, em nome do meu eterno Presidente e amigo Carlos Siqueira, minha gratidão mais sincera.

Com dor, mas também com dignidade,

Carlos Amastha

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