Cachoeiras são as principais atrações de área em disputa entre Goiás e Tocantins

O conflito central gira em torno de uma área de 129 km² (aproximadamente 13 mil a 18 mil campos de futebol) localizada no norte do município de Cavalcante (GO), na divisa com Paranã (TO).

Um suposto erro cartográfico em mapas do Exército da década de 1970, que teria trocado o nome do Rio da Prata pelo de um córrego menor (Ouro Fino), deslocando a fronteira teórica. Goiás acusa o Tocantins de “invasão administrativa”, citando a instalação de portais turísticos com a frase “Bem-vindo ao Tocantins” em áreas que seriam goianas, além da oferta de serviços públicos tocantinenses em solo goiano.

A área abriga o Complexo do Prata, um dos destinos turísticos mais valiosos e cobiçados da Chapada dos Veadeiros, além de abranger parte do território quilombola Kalunga. O caso está no STF sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. Atualmente, há um acordo para a realização de um estudo técnico conjunto, com prazo até junho de 2026, para definir a demarcação correta.

Uma falha em mapas dos anos 70 deu início a um imbróglio territorial que hoje coloca dois estados frente a frente no STF. Em jogo, o controle do paradisíaco Complexo do Prata e a soberania sobre terras quilombolas. O erro de nomenclatura cometido há cinco décadas transformou um refúgio ecológico em um campo de batalha jurídico. Goiás e Tocantins disputam no Supremo Tribunal Federal (STF) a posse de uma fatia estratégica de 129 quilômetros quadrados na Chapada dos Veadeiros. O território, que tecnicamente pertence ao município goiano de Cavalcante, vem sendo administrado e promovido turisticamente pelo estado vizinho, o Tocantins.

Segundo a Procuradoria-Geral do Estado de Goiás (PGE-GO), a confusão começou com uma carta topográfica do Exército datada de 1970. No documento, o Rio da Prata foi identificado erroneamente como Córrego Ouro Fino. Como o rio é o marco natural da divisa, o erro “empurrou” a fronteira de Goiás para o sul, permitindo que o Tocantins avançasse sobre áreas que originalmente compunham o território goiano antes da divisão do estado em 1988.

Turismo e Identidade em Conflito

O ponto de maior atrito é o Complexo do Prata. Famoso por suas águas cristalinas, o local é um dos motores econômicos do ecoturismo na região. O governo do Tocantins instalou recentemente portais de boas-vindas no local, sinalizando que o turismo “começa ali”, o que Goiás classifica como uma usurpação de patrimônio.

Além do aspecto financeiro, há uma questão social delicada: a área faz parte do território do Quilombo Kalunga dos Morros. A incerteza sobre a divisa gera dúvidas na população local sobre a quem recorrer para serviços de saúde, educação e segurança, já que ambos os estados oferecem assistência na zona de conflito.

Trégua Técnica no STF

O ministro Cristiano Zanin, relator da Ação Cível Originária no STF, mediou um acordo inicial entre os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Wanderlei Barbosa (TO). Ficou decidido que: Equipes técnicas de ambos os estados realizarão um novo levantamento geográfico para identificar a linha divisória real e o laudo deve ser apresentado até 22 de junho de 2026. Até que o veredito final saia, os serviços públicos atuais não devem ser interrompidos para não prejudicar os moradores e turistas.

Enquanto o estudo não é concluído, a “Guerra das Cachoeiras” permanece em banho-maria, aguardando que a ciência cartográfica resolva o que a política e a história recente acabaram por confundir.

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